Olá, minha gente!
Creio que há pelo menos um mês aí que não nos encontramos; ou, melhor dizendo, que por aqui não nos falamos. Neste meio tempo andei escrevendo algumas besteirinhas não muito dignas de atenção, e, em maioria, pessoais demais para serem aqui dispostas. No entanto, finalmente consegui algo aparentemente interessante e que hoje vim entregar-lhes…
A início de conversa gostaria de explicar duas coisas: uma delas envolve merchandising (o que não me agrada nem um pouco, já que vai contra meu instinto comunista – instinto este que não me agrada nem um pouco) e outra que envolve um, digamos, desmerchandising (o que me agrada à pampas, já que, perceberão, vai contra minhas manias narcisistas – manias estas que costumam a afagar meu ego, mas desagradar meu racionalismo).
Pois então…!
A primeira coisa é explicar um nome que aparece logo nos inícios deste meu texto, o “Rota 66″. Alguns talvez conheçam por, bem, conhecerem, outros por terem ouvido pela minha própria boca; todavia, me sinto na obrigação de explicar àqueles que até então não ouviram falar sobre… O Rota 66 se trata de um restaurante bem gostozinho, de comida meio mexicana, meio texana (tex-mex), que se encontra na Praça Varnhagen. Aqui, Rota 66, vocês podem saber um pouco mais sobre o restaurante (que eu indico), e até mesmo entrar mais no clima do texto.
Ok, fim da merchandising… Ufa!
Agora, vamos à segunda coisa…
Trata-se de por que motivo disse ter achado este texto “aparentemente interessante”, e acaba por se tratar também de um agradecimento às duas primeiras pessoas que o leram: Augusto e Rodrigo. Meu primeiro amigo cá citado deu algumas risadas durante o texto e disse tê-lo achado com mais vida que aqueles anteriores que já escrevi… Já a segunda criatura me pentelhou profundamente para que eu viesse aqui e o postasse; caso contrário, sei lá, ele iria me dar um super peteleco na orelha esquerda (a que tem mais brincos)! hehe Então, muito obrigada a ambos pela força, e por causa do pedido dos dois estou deixando meu texto cá no blog. E, na realidade, muito obrigada a todos que sempre vêm aqui ler meus textos…
Espero que gostem deste novo!
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Fuckery;
“E tudo em que consigo pensar é ‘Who’s the next fucker in line?’.”
Meu toque de celular naquela semana era Clapton, I Shot the Sheriff.
“I shot the sheriff… But I did not shot the deputy.”, e, quando atendi ao telefone, era a voz de Madalena do outro lado. Simples, suave e, como sempre, laranja. “Rota 66, Madalena? Mas está chovendo, e eu ir de moto para lá…” Praça Varnhagen, comida tex-mex; não existia outra cogitação possível naquele universo, não naquele dia.
Encerrada a ligação, que não durou muito mais que um minuto, rapidamente fui me meter dentro de minha calça jeans e de uma blusa limpa. E, quando ainda mal começava a vestir o velho macacão preto da moto (evidentemente e especialmente projetado para dias de chuva), Clapton voltou a cantar…
“Sim?”
“Já cheguei.”
“Em três minutos?”
“É que eu já estava aqui.”
“Ah, sim…”
Madalena estava enfurecida, mas, é claro, enfurecida à sua maneira. Seus olhos escuros estavam baixios, e seus dedos tamborilavam contra a mesa, fazendo de seus dezesseis anéis uma bateria de bumbo-duplo. Não qualquer bateria de bumbo-duplo, mas uma como se fosse tocada por Densmore. O som bruto daquela fúria manual sendo tocado de maneira curiosamente suave…
Madalena quando ficava aborrecida nunca fora mulher de fazer o menor chiado. Ela não era aguda: era simples, suave e laranja. E, nos momentos em que tinha problemas com homens, como era o caso daquele dia, jamais jogava o papel de tola; sem xingamentos, sem gritos, sem nada que beirasse reações humanas normais, quanto menos a feminilidade. Apenas aqueles pares de mãos imitando todo o oitavo minuto de The End, sem nunca chegar ao final dele… Creio que, com essa postura que ela erguia, eram seus homens os que ficavam realmente aborrecidos. Talvez fosse disto que se tratasse o jogo.
“E tudo em que consigo pensar é ‘Who’s the next fucker in line?’.
“Não lhe falei, mas estou extremamente musical hoje.”, e ela riu de maneira bem sarcástica, seca. “Antes que você chegasse; na verdade, quase o dia todo… Sabe Tears Dry on Their Own?”
“Winehouse?” E ela concordou com um balançar sutil de sua cabeça, sem necessidade de movimentos desproporcionais. “O que tem a música?”
“‘Ah, can I play myself again? Or should I just be my own best friend? Not fuck myself in the head with… Stupid men.’”, Madalena cantarolou a letra, fazendo de conta a voz da falecida sem a menor dificuldade. “Quero dizer… Quer foder outra pessoa que não seja sua namorada? Compreendo, os seres humanos fazem isso. Porém, na minha cama, no meu apartamento, no lençol verde-limão que comprei quinta-feira passada…? Também compreendo, só não pretendo ter a capacidade de permiti-lo.”
“Você chega a ser engraçada. Como pode ser tão…?”, até então eu não sabia que era aquela a história: que a garota havia pego o namorado transando com outra garota. E, acima daqueles sete anos que conhecia Madalena, continuava sendo impressionante a tranqüilidade com que as palavras escorriam por sua boca… Psicótica?
“Acho que é seu cabelo laranja… Por si só, ele já expressa tudo que você teria a expressar.” Ela levou a mão esquerda àquele curto mar de cachos… Os fios tingidos desordenadamente de uma cor cogumelo Jack O’Lantern, ou também conhecida, entre nós dois, como cor Omphalotus olearius… O que não se trata muito mais que uma faixa entre laranja-escuro e amarelo-queimado. Comparações de micólogos de fundo-de-quintal nunca podem ser realmente muito engraçadas…
“Quisera que fosse isso do cabelo. Talvez assim diminuíssem meu tempo no calabouço-de-Dodah, vulgo hospital psiquiátrico. Ou talvez, ao menos, reduzissem minhas doses de Rivotril… Agora, quando fico sem esta merd…”
O garçom se aproximou, mas Madalena havia interrompido suas palavras muitos segundos antes de ele sequer cruzar olhares com nossa mesa; não fora ele que a freara em seu típico palavrão. Ela nunca é pega de surpresa? Não que eu ache que ela fosse se incomodar em ser vista falando um “merda”. Só seria interessante, uma vezinha… E num instante havia lá, dum canto da mesa, a Budweiser dela e, doutro canto, minha água mineral. Sem gás.
“Contudo, entretanto, todavia, no entanto. Voltando ao assunto inicial… Diz para mim, não poderia ter sido no sofá? Não poderiam ter pagado um motel? Se dou a chave do meu apartamento prum camarada, acho que está implícita a regra de não se transar com outra mulher no meu lençol novo…”
“Olha, Madalena, eu não quero ofender você, mas posso acabar ofendendo de alguma forma, mesmo sabendo que não vou ofendê-la de maneira nenhuma. Mas, então… A questão é que você sempre ‘bate na cabeça com caras estúpidos’. Sei lá, quando foi a última vez em que você fez um teste de QI?”
“Que porra…?”
“Só diz quando.”
“Quando entrei no hospital; dezoito de brumário de 1799.”Eu levantei uma de minhas sobrancelhas, e ela suspirou: “Ok, em data de seres humanos normais. Nove de novembro de 2007. É só que acho engraçado ter caído no dia do 18 de Brumário… Não tenho direito de achar engraçado?”.
“E quanto deu o teste?”
“Quanto? Que diferença isso faz? Faz quatro anos que fiz essa meleca.”
“Ora, para pior é que não deve ter caído…”
“Mas você sabe que pode.”
“Consideremos simplesmente pela sua afirmação, ‘Você sabe que pode.’, que ou permaneceu nos mesmos números ou aumentou.”, e mais uma vez fiz Madalena suspirar… Um ar que revolvia a cerveja e a nachos com pimenta chili.
“Quociente de inteligência… Cento e sessenta e seis.”
Por tudo de mais sagrado no mundo, se ao menos pudesse, eu juraria me casar com aquela mulher naquele instante e a fazer feliz para o resto da vida, e sempre pintar o cabelo dela de cogumelo Jack O’Lantern, e jamais levar outra mulher para sobre qualquer lençol que lhe pertencesse, velho ou novo. Por tudo de mais sagrado no mundo… O que, basicamente, significava não outra coisa (pessoa) se não Madalena Lima. Mas juramento que, pela própria pessoa (coisa) Madalena Lima, jamais poderia ser feito… Meu deus, eu sabia que era alto, mas ela nunca havia me falado quanto eram os números.
Engoli a seco, a bem seco por sinal, e continuei com meu raciocínio…: “Pois bem. Estamos praticamente brincando de Uma Mente Brilhante aqui, e você me vem namorar um cara que escuta Detonautas sem fones-de-ouvido no ônibus?”
“Alguma coisa contra Detonautas?”
“Nada contra Detonautas. Mas temos que concordar que a combinação é absurda… Até mesmo namorar com alguém que escutasse Funk sem fones seria muito mais razoável! Convenha, Li…” Oh, não… Apelido carinhoso e crítica, essa combinação é o mais claro dos ciúmes. Ela vai notar isto num piscar…
“Não seja tão ciumento, você sabe o quanto esse tipo de coisa me deixa aborrecida e enojada. Fora que já cansei de lhe explicar o porquê dos imbecis: se eu for namorar alguém inteligente, ele, ou ela, com certeza irá reparar nos Parcher, Marcee e Charles da vida (aproveitando a citação de Genie und Wahnsinn – desculpe, mas me sinto obrigada a usar o título alemão deste livro, ao menos em nome de Sylvia). Enquanto que um idiota… Bom, já os idiotas nunca notaram.”
“Talvez o fato de você ser mais inteligente que as pessoas inteligentes as tornasse burras o suficiente para caírem nos disfarces das suas crises. Ou, então… Tentando ser um pouco chato com você…”
“Não comece com isso…”
“Talvez o outro fato, esse de você esconder dos seus namorados de que tem esquizofrenia. O que não é nem um pouco grave…”, e é claro que, neste instante, aproveitava o meu máximo para implicar com Madalena.
“Não fode.”
“Nem um pouquinho grave… Talvez seja isto que os leve a, bom, você sabe o quê.”
“Não só sei disto, como sei que você também sabe que eu não pretendo comentar sobre meus problemas de psicose com as pessoas com as quais faço sexo.”
“Então o problema é somente o sexo?”
“Não, meu querido, o problema não é o sexo. Ele é a solução. Pode perguntar isto para minha terapeuta.”
“E também posso perguntar à sua terapeuta se ela acha saudável namorar por um ano um homem que escuta Detonautas sem fones no ônibus, não contar a este homem que você tem esquizofrenia e terminar, num restaurante tex-mex, se lamentando (e bebendo pra caralho por sinal) que ele a traiu…”
“Ela vai responder a você que é melhor não contrariar maluco.”
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P.S.: gostaria apenas de explicar este pequeno detalhe… O verso que aparece no título deste post, “What kind of fuckery are we? Are you?”, é da música Me & Mr. Jones, da Winehouse. Deixo aqui o link no YouTube desta música, porque, além de achar que ela caracteriza em muito Madalena, creio que nunca é demais um pouco de boa música, de boa voz… Me & Mr. Jones
Uhuuu! Primeira!
=DD
Irmã-coruja é outra coisa, ne? haha
[:
Um dos melhores textos cá deste blog!
Digamos que interpretá-lo tenha sido uma das partes mais legais (fora a leitura, que foi deveras agradável).
Muito bom, Paula! Gostei bastante deste, parece feito em cores quentes…diferentemente dos anteriores. Augusto estava certo. Eu já estava sentindo falta dos seus textos, a ponto de quase ir te cobrar um novo post (sei que você não gosta disso e por essa razão me contive).
Amo as músicas citadas, e aprecio muito ver que aquele conselho que te dei há tempos, de deixar uma trilha sonora paralela às suas palavras, tem dado frutos. Gosto de ler suas coisas e achei essa Madalena intrigante, no mínimo. O Rota 66 é realmente bem bonzinho, by the way. Costumava frequentá-lo quando morava na Tijuca, ia sempre com meus primos, fato que me traz lembranças boas dali. Concluindo, gostaria de deixar registrada minha insatisfação, Little Paula. (crítica + apelido carinhoso…). Em nada me agrada que você não me mostre seus textos, sabendo que eu gosto muito deles e que sempre me disponho a dar meus pitacos, ao passo que os mostra a outros amigos seus (…= ciúmes). Hahaha! Espero ver mudanças nesse setor o mais breve possível! Beijones!
hahaha
Ok, Ceci!
Vou passar a mostrar cada um deles a você, não se preocupe com isto. hehe E muito obrigada por ter lido assim logo de cara! Que bom que gostou dele… Sei que sempre digo isto, mas nunca me canso: sua opinião me é importante pra cacete! Vou seguir postando textos mais, digamos, contemporâneos e brasileiros agora que estou pegando o jeito para a coisa.
Espero continuar vendo seus comentários aqui, e nunca em blog de outrem (…=ciúmes [x2])!
Muitos beijos.
:3
Que gracinha! Gostei, gostei! Hunf. Pode mandar tudinho pro meu email, você sabe disso! (:
Sacadas geniais, leveza em sua nerrativa, que fluiu muito naturalmente… Divertido e simplesmente sensacional!!! XD
Santo cristo, não sei por que tanto barulho com um textinho… XD