“You can’t keep me Here…”

25 Jul

Recentemente, no post passado, fiz um pequeno comentário sobre mim mesma; disse que me achava uma pessoa, simplesmente, triste e nascida para emaranhar e desemaranhar tragédias. E, num almoço com um grande amigo meu, comentei com ele dessa minha opinião sobre mim mesma. No entanto, longe de concordar, ele me disse, com seus lábios finos movimentando-se em palavras, como sempre, sábias: “Não acho que você seja uma pessoa triste. Acho apenas que você é triste quando tem de fazer o que os outros querem que você faça, quando é obrigada a agir de uma forma que não a agrada. Aí sim você é triste.”… Pensei muito sobre o que ele me disse e, por deus, é a mais pura e puta verdade! Então, se vim aqui somente para me corrigir?, não, não. Vim também para largar dois pequenos textos; só no intuito de tirar um pouco da poeira deste blog velho e enferrujado…
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“Got my Mojo Workin’”
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Minha mão esquerda estava sobre o volante, firme, segura, guiando o carro através das curvas da estrada; enquanto que minha mão direita, estranhamente retesada, movia-se de um lado a outro sobre meu colo.

Levantei os olhos ao retrovisor e, nele, encontrei o rosto de Victor. Ele estava sentado no banco de trás, o corpo inclinado para frente, todo apoiado sobre os joelhos. Aquele par de olhos, negros, pesados e selvagens, dilaceravam o cenário deserto ao nosso redor… Era como se, através daquele olhar tão fixo, Victor despedaçasse lentamente a paisagem, cozinhando-a em fogo baixo numa enorme panela de água fervente.

Observei-o por alguns instantes, e, por estes instantes, Victor agiu como se não me percebesse ali. Baixei meu rosto para, depois, tornar a levantá-lo de volta ao retrovisor: e, então, ele retomara sua atenção à minha presença.

Victor colocou uma das mãos em seu bolso e, dele, tirou um pequeno saquinho de couro. Ele acenou com a cabeça, num gesto silencioso para me perguntar se eu o havia compreendido; e eu, engolindo a seco, respondi-lhe que sim. Em seguida, do mesmo bolso, ele retirou um gélido revólver… Desta vez, apenas balancei a cabeça numa vagarosa afirmação; minha voz falhara.

Retomei a visão à estrada. Minha confiante mão esquerda prosseguia atentamente com seu trabalho, quase como se ela fosse um pedaço à parte de mim; já minha mão direita, agora, remexia-se ainda mais. Respirei fundo, controlei meus nervos, e calmamente liguei o rádio. Uma canção começou – o cd girando dentro do aparelho -, e esta era apenas mais um daquelas minhas queridas, envelhecidas, músicas de rock n’ roll. Victor cantarolava ao fundo, seguindo o passear tranqüilo da música… “And I will stroll the merry way, and jump the hedges first.

Alguns minutos depois, já tendo se passado mais duas faixas daquele meu cd, dei de olhos com a pequena figura de uma mulher, parada junto ao acostamento, poucos metros à frente de nosso carro. Era uma prostituta de estrada, uma jovem bela, de longos cabelos castanhos, enfiada num singelo vestido preto e equilibrando-se em saltos ponta-de-agulha.

Victor se inclinou ainda mais para frente e, ao lado de meu ouvido, se pôs a relembrar-me do que havíamos combinado: “Então, é isso. Faça sua parte, eu faço a minha… Pode ter certeza, assim vamos manter o Sapo bem longe.”. E, com isto em mente, me pus a frear o carro vagarosamente, parando-o bem ao lado daquela mulher.

Destranquei a porta, e ela entrou, em seu rosto pendia um sorriso sujo e silenciosamente delicioso.

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Outro daqueles meus treinos de Inglês:
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We were already on the midst of some country road, when Karl decided to stop at a little village we saw few kilometers way back. He simply leaned his car on the other side of the road and, making a wild curve, turned us to the “right way”, according to him himself… I didn’t say one word on disagreement; he was the Sherlock, I was just doctor Watson.

When we finally arrived on the village, he parked his car beside an atelier where some lady worked making shelters and pillows. We jumped off the car and went in that tiny soft-yellow house; Karl put his hand on the back pocket, and pulled that gun out. “My sweet…”, that time I was like calm down: at this point of our trip, seeing him playing with that revolver’s butt was something strangely normal to me.

He entered the house kicking the door, slamming it against the wall and pointing the gun at the lady’s head. “Good afternoon, ma’am, I’d like to see some of that pillows of yours… Would you mind?”, she, an old and uncommonly beautiful woman, drove on completely scared at the same moment, and, running over the room, started picking up all and any pillow.

Karl chose kind of twenty between the nicest, every single one all handmade. That poor lady was weeping, watching her hard work being stolen and seeing that revolver straight focused now at her heart… My psycho partner asked me, as gently as ever, to help him with the pillows. I took all I could into my arms, and Karl did the same; we pushed them over the car’s back seat, and, after, went back to the atelier.

He made the lady run on again, asking her for the best shelter she had; and, so, made her cry even more when stole it too… “Don’t do that face to me… Breaks my heart to see a so pretty woman as you weeping that much.”, and, giving that fifties lady a long tongue-kiss, Karl said to her a lovely good-bye. We rode away, taking another crazy route that, of course, we wholly didn’t know.
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P.S.: para aqueles que não a conhecem, a letra, cujo verso está no título deste post, se chama Can’t Keep. Uma belíssima música do Pearl Jam, e que indico a todos… Au revoir!

5 Respostas para ““You can’t keep me Here…””

  1. Rodrigo Luiz Sampaio 26 26UTC Julho 26UTC 2011 às 12:16 AM #

    Já lhe disse pessoalmente, mas vale insistir! Belos textos… O do Karl então, sempre me dá calafrios… A essência destes personagens, psicopatas mas com um poder de sedução e, muitas vezes, um senso crítico e até traços de bondade, são impressionantes. Você é uma verdadeira escritora e pode se orgulhar muito disso! XD

    • P. Guerra 26 26UTC Julho 26UTC 2011 às 12:32 AM #

      Sei como é… Gosto muito deles também; acho que sabe disso pelo Ivan, não? xD

  2. Patrícia 26 26UTC Julho 26UTC 2011 às 12:22 AM #

    =)))
    LUV U!

    Textos ótimos como sempre!

    Pati

    • P. Guerra 26 26UTC Julho 26UTC 2011 às 12:29 AM #

      Obrigada, hermana!
      Espero que eu consiga fazer algo com esses textos algum dia… Esperemos para ver. (:

      De toda forma, obrigada também por lê-los!
      Saudades. :3

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